sábado, 31 de janeiro de 2009

Puta humana


Sinto gritos de gozo.Ouço gemidos de dor.Toque de pêlos ouriçados.A vida como prostituição.Esfomeado, insano desejo;Em seus vômitos, emoção.Ah, humanos embrutecidos!Eles se reduzem a estocadas.Descubro a farsa moralEjaculando infertilidade.E vermelho de vergonha:- Ô porra! Isso é um mal!Mantenho meu respeito:Perdoem-me este pleito.Mas não falam dos peitos,De direito, como morada:“Oh, carregas tao belo pulsar!Uma música pareço escutar;Um desejo faz sentir o meuCoração que mora no peito!”O sexo, alimento, ilusão.Mal-estar, vidas insaciadas.Corações que se destroem.Gozo, alimento, solidão.O sexo, alimento, paixão.Digestivo, vidas apaixonadas.Corações que se penetram.Amor, alimento, reflexão.Mãos que escondem uma vida,Unhas vermelhas, cor da luta,Essa é a história de uma puta.Mãos que são con fundidas.Excita! Excita! Ex…Ex – menina, mulher.Goza! Goza! Go…Gozada sempre por aí.Homem e mulher.Macho e fêmea.Pênis e vagina.Contratante e Contratada.Cobrem-se as vergonhas, violadas.Descobre-se o sub-existir, isoladas.Se tudo der certo, um dia vai sair…E a vida termina num condicional.Que fazer instinto?Agir bem distinto!Acolher essas mãos,A história, o coração!O sexo não, não, não…Ele não pode ser traiçãoDe um humano vocação:Acolher sempre o irmão!Andanças de um pescador de vivências.
(A.D.)

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